quarta-feira, 8 de outubro de 2014

                                                 Aula 4    -   Blade Runner                               O Caçador de Androides

















EUA - 1982
Direção de Ridley Scott 






          Protagonistas

Deckard (Harrison Ford): caça e elimina androides ilegais na Terra (replicantes) para a Polícia de Los Angeles. Policial egocêntrico e solitário, não vê valor na vida dos robôs. Sua experiência na trama e a paixão que tem por Rachael vai levá-lo a desenvolver a empatia com androides e com todas as coisas vivas.

Rachael (Sean Young): belíssima filha do grande magnata e fabricante de androides Tyrrell, apaixona-se por Deckard em meio à trama. Não tinha consciência de que também era uma replicante e quando fica sabendo, não quer acreditar.      


Roy : líder dos replicantes que invadem a Terra para tentar descobrir quanto tempo de vida ainda tinham. Cruel com os humanos, comete uma série de assassinatos para poder chegar ao seu Criador (Tyrrell). Ao final, se da conta do valor da vida e poupa Deckard da morte, numa emblemática cena de perseguição.     






Trama e Linguagem

Blade Runner é uma das principais obras do cinema para os cinéfilos da década de 1980. Foi baseado em um livro de ficção científica de Philip K. Dick (Andróides Sonham Com Carneiros Elétricos?) narra uma história policial típica dos filmes noir (que fizeram muito sucesso nas décadas de 1930 e 1940), com narrativa em primeira pessoa, ambiente soturno e esfumaçado, recheada de ação, perseguições, vilões e uma mulher misteriosa pela qual o detetive decadente se apaixona. Todos esses clichês cinematográficos, no entanto, são transportados para um futuro em que a Terra está superpovoada e seus habitantes estão colonizando novos planetas com o auxílio de androides.    


       
O thriller de ficção científica de Ridley Scott se passa numa Los Angeles no ano de 2019, uma cidade infernal, claustrofóbica, com um chuva contínua, quando um grupo de replicantes – robôs visualmente indistinguíveis dos seres humanos usados para trabalhos degradantes nas colônias extraterrestes e proibidos na Terra – são perseguidos por Deckard, um blade runner, policial caçador androides. Em meio à caçada, ele acaba se apaixonando pela filha de um poderoso industrial, que depois descobre ser ela também “artificial”.
Mais do que uma ficção científica sustentada apenas em uma trama ligeira e efeitos especiais (que neste caso são muito bons, mas não o recurso narrativo mais importante), o diretor quis dar a Blade Runner um certo fundo filosófico com discussão em torno de temas universais acerca do sentido e da duração da vida, por isso tornou-se um dos filmes mais cultuados da história do cinema.

Uma cena do filme

Deckard luta com o replicante Roy no alto de um arranha-céu, mas depois de ficar pendurado e quase despencar de uma altura imensa, tem a sua vida salva pelo androide, que, debaixo de chuva, faz um discurso final, sentindo a morte (natural) se aproximar:
“- Viver com medo é uma experiência e tanto, não é? É o mesmo que ser escravo. Vi coisas nas quais vocês nunca acreditariam...Todos esses momentos se perderão no tempo como lágrimas na chuva... Hora de morrer.”   (confira abaixo)



Uma opinião

“Os cenários da megalópole congestionada são extraordinários: é o futuro fuliginosos e retrógrado – o futuro como um mercado negro, composto de aspectos embolados e sórdidos do presente. Filme de ficção científica com cara própria, não pode ser ignorado e tem seu lugar na história do cinema. Coloca-nos nessa cidade que é um labirinto de linhas tortas, com sua sensação pós-humana, nos mantém convencidos de que vai acontecer alguma coisa ruim e de que fazemos parte dessa atmosfera em decomposição.”
(Pauline Kael, 1001 Noites no Cinema – Cia das Letras)



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