Aula 4 - Blade Runner O Caçador de Androides
EUA - 1982
Direção de Ridley
Scott
Protagonistas
Deckard (Harrison Ford): caça e elimina
androides ilegais na Terra (replicantes) para a Polícia de Los Angeles. Policial egocêntrico
e solitário, não vê valor na vida dos robôs. Sua
experiência na trama e a paixão que tem por Rachael vai levá-lo a
desenvolver a empatia com androides e com todas as coisas vivas.
Rachael (Sean Young): belíssima filha do
grande magnata e fabricante de androides Tyrrell, apaixona-se por Deckard em
meio à trama. Não tinha consciência de que também era uma replicante e quando
fica sabendo, não quer acreditar.
Trama e
Linguagem
Blade Runner é uma das principais obras do
cinema para os cinéfilos da década de 1980. Foi baseado em um livro de ficção
científica de Philip K. Dick (Andróides
Sonham Com Carneiros Elétricos?) narra uma história policial
típica dos filmes noir (que fizeram muito sucesso nas décadas de 1930 e 1940),
com narrativa em primeira pessoa, ambiente soturno e esfumaçado, recheada de
ação, perseguições, vilões e uma mulher misteriosa pela qual o detetive
decadente se apaixona. Todos esses clichês cinematográficos, no entanto, são
transportados para um futuro em que a Terra está superpovoada e seus habitantes
estão colonizando novos planetas com o auxílio de androides.
O thriller de ficção científica de Ridley Scott
se passa numa Los Angeles no ano de 2019, uma cidade infernal, claustrofóbica,
com um chuva contínua, quando um grupo de replicantes – robôs visualmente
indistinguíveis dos seres humanos usados para trabalhos degradantes nas
colônias extraterrestes e proibidos na Terra – são perseguidos por Deckard, um
blade runner, policial caçador androides. Em meio à caçada, ele acaba se
apaixonando pela filha de um poderoso industrial, que depois descobre ser ela
também “artificial”.
Mais do que uma ficção científica sustentada
apenas em uma trama ligeira e efeitos especiais (que neste caso são muito bons,
mas não o recurso narrativo mais importante), o diretor quis dar a Blade Runner
um certo fundo filosófico com discussão em torno de temas universais acerca do
sentido e da duração da vida, por isso tornou-se um dos filmes mais cultuados
da história do cinema.
Uma cena do
filme
Deckard
luta com o replicante Roy no alto de um arranha-céu, mas depois de ficar
pendurado e quase despencar de uma altura imensa, tem a sua vida salva pelo androide,
que, debaixo de chuva, faz um discurso final, sentindo a morte (natural) se
aproximar:
“- Viver com medo é uma
experiência e tanto, não é? É o mesmo que ser escravo. Vi coisas nas quais
vocês nunca acreditariam...Todos esses momentos se perderão no tempo como
lágrimas na chuva... Hora de morrer.” (confira abaixo)
Uma opinião
“Os cenários da
megalópole congestionada são extraordinários: é o futuro fuliginosos e
retrógrado – o futuro como um mercado negro, composto de aspectos embolados e
sórdidos do presente. Filme de ficção científica com cara própria, não pode ser
ignorado e tem seu lugar na história do cinema. Coloca-nos nessa cidade que é
um labirinto de linhas tortas, com sua sensação pós-humana, nos mantém
convencidos de que vai acontecer alguma coisa ruim e de que fazemos parte dessa
atmosfera em decomposição.”
(Pauline Kael,
1001 Noites no Cinema – Cia das Letras)




Nenhum comentário:
Postar um comentário